segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Cientistas descobrem diagnóstico precoce e simples para Alzheimer
Punção lombar ou tomografia com marcador biológico vão facilitar exames.
Estudo foi publicado na revista britânica 'The Lancet Neurology'.
O Mal de Alzheimer poderá ser, a partir de agora, diagnosticado de forma precoce e confiável, graças a novos marcadores biológicos, segundo um estudo feito por um grupo internacional de neurologistas. O estudo foi publicado na revista britânica "The Lancet Neurology".
Após nove anos de trabalho, os cientistas definiram e validaram novos critérios para diagnosticar esta doença neurodegenerativa em plena expansão. O Alzheimer afeta 40 milhões de pessoas no mundo e previsões indicam que em 2050 o número de doentes terá triplicado.
A doença começa geralmente com transtornos de memória, seguidos de problemas de orientação espacial e temporal, transtornos de comportamento e perda de autonomia. Mas esses sintomas não são específicos do Alzheimer apenas e a doença "não podia ser diagnosticada até agora de forma segura em um estágio precoce", explicou o professor Dubois.
Era necessário, geralmente, esperar que a doença evoluísse para a demência ou que o doente morresse para poder examinar as lesões que ele tinha no cérebro. Após analisar os estudos publicados sobre o tema, os cientistas chegaram a um consenso de diagnóstico do Alzheimer, com dois perfis clínicos específicos.
Os casos típicos (80% a 85% dos casos) se caracterizam por problemas de memória episódica de longo prazo (lembrança voluntária de fatos), enquanto nos casos atípicos (15% a 20% dos casos) são encontrados transtornos da memória verbal ou de comportamento.
Cada um desses perfis, segundo os cientistas, deve ser confirmado por pelo menos um marcador biológico. Trata-se de uma punção lombar que mostra o nível anormal de proteínas cerebrais no líquido cefalorraquidiano ou de uma tomografia por emissão de pósitrons (TEP) do cérebro, um exame de imagem que permite visualizar a atividade dos tecidos.
Embora por enquanto não haja tratamento eficaz contra o Alzheimer, a detecção confiável e precoce deve facilitar a pesquisa, afirmou Dubois.
Esses trabalhos permitiriam aos pesquisadores se dar conta de que muitos diagnósticos estabelecidos segundo os antigos critérios estavam errados, entre eles 36% dos falsos doentes de Alzheimer incluídos em um teste terapêutico anterior.
Fora da pesquisa, o uso de marcadores biológicos se limita atualmente a pacientes jovens ou a casos difíceis, pois a técnica é cara e invasiva.
Doença de Alzheimer
Matosinhos: Doentes de Alzheimer seguidos por satélite
Projeto será apresentado no dia 30 de março e pretende servir de exemplo a outros locais do país.
A junta de freguesia de Matosinhos está prestes a lançar um projeto que pretende ajudar a minimizar os efeitos da doença de Alzheimer no dia-a-dia dos pacientes e das próprias famílias. A estratégia é simples: acompanhar, em tempo real, através de GPS e GSM, a localização das pessoas com esse tipo de doença, de forma a diminuir o número de idosos que são encontrados perdidos nas ruas.
“Decidimos criar um projeto porque constatamos uma real necessidade no terreno, nos últimos meses - a de ajudar as pessoas com esta doença que nos aparecem na junta e que, depois, não sabem como voltar a casa”, explicou António Parada, presidente da junta de Matosinhos e impulsionador da iniciativa. “Muitas vezes, colocamos o motorista da junta à disposição destes cidadãos e acabamos por ter de deixá-los na PSP, uma vez que não conseguem realmente fornecer as indicações reais das suas habitações”, acrescentou, sublinhando que, quando os doentes não são de Matosinhos, a situação se torna ainda mais complicada.
Carteira com GPS e documentos ajudará a localizar idosos
O projeto consistirá na oferta de uma carteira que terá um chip, “disfarçado”, de modo a que, se a pessoa começar a demorar muito a chegar a casa, a família e a própria junta possam aceder a um computador e localizar o doente, através de uma password. “Trata-se de uma resposta pró-ativa para uma realidade que se estende a todo o país, já que, em Portugal, existem cerca de 90 mil doentes de Alzheimer, de acordo com a associação nacional da respetiva doença.
Ainda assim, segundo António Parada, as potencialidades da iniciativa não ficam por aqui. “Os doentes têm uma rotina criada – vão ao café, comprar o jornal – e só se perdem quando fogem a essa rotina. Portanto, sempre que o doente sair do perímetro traçado pela rotina, o familiar receberá um sms de alerta”, adiantou. “Se, por algum motivo, o familiar não puder ir buscar o doente, por estar a trabalhar, a junta encarregar-se-á de o fazer”, acrescentou o criador do projeto, que será apresentado no próximo dia 30 de março, às 11 horas, em Matosinhos.
Projeto de apoio aos idosos que moram sozinhos quase finalizado
Além da iniciativa de apoio social aos doentes com Alzheimer, o presidente da junta está ainda a trabalhar noutra proposta de auxílio aos idosos que vivem sozinhos. Apesar de não querer ainda adiantar muitos pormenores, António Parada esclareceu que, “no caso de essas pessoas não se mexerem ao fim de dez horas, a junta alertará a família”.
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